A lombalgia é um dos problemas de saúde mais comuns entre a população mundial1 e continua a ser a principal causa de redução de função e anos vividos com incapacidade, em todo o mundo.2 A maioria das pessoas sofre de dor lombar em algum momento da sua vida1.

Embora no geral se recupere rapidamente da dor, a incapacidade que é o resultado de tal dor conduz muitas vezes a uma limitação funcional, nos adultos.3

A dor nas costas é uma das razões mais comuns para as pessoas consultarem um médico ou perderem dias no trabalho4. Até as crianças em idade escolar podem ter dores nas costas.

A dor nas costas pode variar em intensidade (i.e. desde ligeira a severa), em frequência (i.e. desde dor constante a uma dor súbita), ou até mesmo em características, pode ser uma dor tipo “facada” ou mais tipo “choque elétrico”. 3,4

Pode começar de repente como resultado de um acidente ou levantamento de algo pesado, ou pode desenvolver-se com o tempo à medida que envelhecemos.4

2021 – Ano Global Sobre a Lombalgia

A Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) definiu 2021 como o “Ano Global Sobre a Lombalgia”, campanha à qual a European Pain Association (EFIC) e a Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) se uniram, promovendo ações com o intuito de apoiar médicos, cientistas e doentes na compreensão dos desafios globais de prevenção e tratamento da lombalgia.5

O grande objetivo deste Ano Global sobre a Lombalgia é promover uma comunicação mais eficaz entre clínicos e doentes, fornecendo e disponibilizando recursos úteis, práticos e relevantes para auxiliar na abordagem da prevenção e tratamento da lombalgia, aumentando a qualidade de vida de quem vive com esta dor.

Neste âmbito, a IASP definiu alguns temas prioritários para 20215, entre os quais consta a identificação de barreiras e soluções para melhorar a prevenção, investigação e tratamento da lombalgia, procurando reduzir o fardo global da incapacidade devido à lombalgia.5

A lombalgia

Classificada como aguda quando tem uma duração de quatro a seis semanas e como crónica quando persiste por 12 semanas ou mais, é uma das condições de dor crónica mais comuns no mundo.6

A prevalência da lombalgia ao longo da vida será superior a 70% nos países industrializados, estimando-se que em 15-45% dos casos os sintomas persistam durante um ano ou mais.7 Isto significa que a maioria das pessoas terá dor lombar em algum momento da sua vida, embora apenas uma minoria dos doentes relate persistência da dor após um episódio agudo. No entanto, de acordo com um estudo científico recente cerca de dois terços dos doentes acabam por desenvolver lombalgia crónica.8,9

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de dor lombar?4

Qualquer pessoa pode ter dores nas costas. Fatores que podem aumentar o risco de dor lombar incluem:

Idade: o primeiro episódio de dor lombar normalmente ocorre entre os 30 e 50 anos, e a sua frequência torna-se mais comum com o avançar da idade.

Condição Física: a dor nas costas é mais comum entre pessoas sem preparação física. Se os músculos das costas e os abdominais estiverem fracos, podem não oferecer apoio suficiente à coluna vertebral. As pessoas que fazem exercício intenso ao fim-de-semana e depois ficam inativas toda a semana são mais propensas a sofrer dores e lesões nas costas do que pessoas que fazem atividade física moderada, mas diariamente. Há muitos estudos que mostram que exercícios aeróbicos de baixo impacto podem ajudar a manter a integridade dos discos intervertebrais.

Ganho de peso: peso acima do recomendado, obesidade ou ganho repentino de uma quantidade significativa de massa corporal pode colocar demasiada carga nas costas e causar dor lombar.

Genética: algumas causas de dor nas costas, como a espondilite anquilosante (uma forma de artrite que envolve a fusão das articulações da coluna vertebral levando a imobilidade da coluna), pode ter uma componente genética.

Atividade laboral fisicamente exigente: ter um trabalho que requer levantamento de pesos ou um esforço físico elevado pode causar lesões e dores nas costas. Trabalhar sentado à secretária o dia todo pode também contribuir para a dor, especialmente por má postura ou uso de cadeiras sem suporte suficiente para as costas. Nas crianças, a sobrecarga de peso nas mochilas escolares pode forçar as costas e causar fadiga muscular.

Saúde mental: fatores psicológicos como ansiedade e depressão podem influenciar a perceção da gravidade e intensidade de dor. Uma dor que se torne crónica também pode contribuir para o desenvolvimento de tais fatores psicológicos. O stress pode afetar o corpo de várias maneiras, incluindo causar tensão muscular.

Tabagismo: O fumo do tabaco pode restringir o fluxo sanguíneo e o oxigénio para os discos vertebrais, fazendo com que se degenerem mais rapidamente.

COMO PREVENIR A LOMBALGIA4

A prevenção da lombalgia é um aspeto primordial na abordagem terapêutica desta condição. A estratégia preventiva chave é a limitação da exposição aos fatores de risco. Outra estratégia preventiva de valor comprovado pela investigação clínica é a prática de exercício físico, isoladamente ou em associação a medidas educativas10.

Quando a dor lombar se transforma em algo mais grave é fundamental consultar um médico para um diagnóstico e tratamentos adequados. O alívio da dor lombar pode ser controlado com diversos tipos de medicação. Apenas um médico pode indicar qual a medicação a adotar em cada momento.

Tenha em conta algumas recomendações práticas:

  • Exercício Físico Regular para reforçar a musculatura. Deve ser consultado um médico para se obter uma lista de exercícios de baixo impacto adequados à idade, especificamente direcionados para o fortalecimento da parte inferior das costas e musculatura abdominal;
  • Peso: Manter um peso saudável e uma alimentação nutritiva, nomeadamente uma dieta com ingestão diária suficiente de cálcio, fósforo e vitamina D para promover a saúde óssea;
  • Postura: Adaptar e utilizar mobiliário ergonómico (adequados ao corpo humano, movimento e funcionalidade), tal como todo o equipamento em casa e no trabalho.
  • Alongar: Alternar a posição sentado com frequência e periodicamente caminhar pelo local de trabalho ou alongar suavemente os músculos para aliviar a tensão. Colocara uma almofada atrás das costas, pode fornecer algum suporte lombar e colocar os pés num banco baixo ou numa pilha de livros quando estiver sentado por muito tempo;
  • Estar confortável: No dia a dia, utilizar sapatos confortáveis ​​e de salto baixo; para dormir, procurar sempre superfícies firmes dormindo de lado com os joelhos dobrados em posição fetal, o que pode ajudar a abrir as articulações da coluna e aliviar a tensão, reduzindo a curvatura da coluna vertebral.
  • Deixar de fumar: Fumar reduz o fluxo sanguíneo para a parte inferior da coluna, o que pode contribuir para a degeneração do disco espinhal. Fumar aumenta ainda o risco de osteoporose e impede a sua cura. A tosse derivada do fumo do tabaco também pode causar dores nas costas.

Referências:

  1. Hoy D, Brooks P, Blyth F, Buchbinder R. The Epidemiology of low back pain. Best Pract Res Clin Rheumatol. 2010;24(6):769-81.
  2. TAGLIAFERRI ET AL Domains of Chronic Low Back Pain. Pain Practice, 2020; Volume 20, Issue 2, 211–225
  3. Ramdas J, Jella V. Prevalence and risk factors of low back pain. Int J Adv Med 2018;5:1120-1124
  4. National Institute of Neurological Disorders and Stroke. Low Back Pain Fact Sheet. Disponível em: https://www.ninds.nih.gov/Disorders/Patient-Caregiver-Education/Fact-Sheets/Low-Back-Pain-Fact-Sheet, acedido em Fevereiro 2021
  5. 2021 Global Year About Back Pain acedido em http://s3.amazonaws.com/rdcms-iasp/files/production/public/2021%20Global%20Year%20Aims%20and%20Objectives%20for%20web.pdf em fevereiro de 2021
  6. Airaksinen O, Brox JI, Cedraschi C, et al. Chapter 4. European guidelines for the management of chronicnonspecific low back pain. Eur Spine J. 2006 Mar;15 Suppl 2:S192-300.
  7. Kaplan, W, Wirtz, V.J, Mantel-Teeuwisse, A, et al. Priority medicines for Europe and the World: 2013 update. World Health Organization; Geneva, Switzerland. 2003. Disponível em: http://www.who.int/medicines/areas/priority_medicines/MasterDocJune28_FINAL_Web.pdf?ua=1 (acedido a 16 de Maio de 2017).
  8. Itz CJ, Geurts JW, van Kleef M, Nelemans P. Clinical course of non-specific low back pain: a systematic review of prospective cohort studies set in primary care. Eur J Pain. 2013;17(1):5-15.
  9. Baron R, Binder A, Attal N, et al. Neuropathic low back pain in clinical practice. Eur J Pain. 2016 Jul;20(6):861-73.
  10. Maher C, Underwood M, Buchbinder R. Non‐specific low back pain. Lancet. 2016 Oct 10. pii: S0140-6736(16)30970-9